Momentos de reflexão sobre o cotidiano do ser humano a partir do dia a dia que vivemos.
domingo, 3 de julho de 2011
Curtas: Coisas de mulher
sábado, 2 de julho de 2011
Nossas origens
Hoje pela manhã li uma reportagem no caderno ciência sobre uma equipe de pesquisadores da UNB que está utilizando o Google Earth para fazer um "transporte" do hoje para nossa época Brasil Colônia. Inclusive o projeto já está disponibilizando seus primeiros mapeamentos, suas primeiras idéias. Vale a penas dar uma visitadinha - atlas.cliomatica.com. A reportagem coloca: "a idéia dos pesquisadores é sobrepor os mapas do Brasil-Colônia às imagens de satélite atuais, empregando também recursos interativos. Em vários casos vai ser possível ver como o povomaneto avançou e mapear com precisão os ciclos regionais de prosperidade (e bancarrota) durante a era colonial." Sempre gosto muito de projetos e descobertas que estão relacionados a nossas origens, a nossa construção histórica, cultural e evolutiva. Inclusive a busca de nossas origens parece ser intrínseca ao ser humano. Há ainda muito "mistério" sobre nós. A começar sobre nossos sentimentos. Nos últimos anos intensificou-se muito a busca por respostas neuronais pela causa dos nossos sentimentos ou motivação de nossas escolhas. A neurologia e a neuropsicologia têm realizado inúmeras pesquisas através de mapeamentos cerebrais buscando respostas para nossas atitudes. O que conseguem mostrar é qual região do cérebro fica mais ativa em determinadas situações, porém nenhuma delas é conclusiva sobre o porque, a origem. Fico imaginando a frustração desses pesquisadores, buscando respostas, só que junto a elas surgem mais perguntas. Meu marido é astrônomo, e nosso binômio parece tão bizarro, a princípio. Uma psicóloga e um astrônomo, como assim? Só que temos mais em comum do que aparentemente se pode achar. Ambos buscamos origens. Ele em sua pesquisa busca descobrir o nascimento e morte de estrelas de alta massa. Fiquei outro dia sabendo, através de um colega dele, que essas estrelas que ele busca conhecer são escondidas por nuvens de poeira, ou seja, mais difíceis de se acessar, mais "escondidas". Eu busco junto com meus pacientes a compreensão das origens de suas dificuldades, de seus conflitos, busco a reconstrução e resignificação de sua história através das origens, do seu encoberto com as nuvens de poeira da vida dos acontecimentos e dos sentimentos. Então, eu e meu marido, muito temos em comum, somos envolvidos com as origens. Ele no plano astronômico, um macro universo, e eu no plano individual no micro universo pessoal. E essa busca não é só nossa, a história está repleta de simples pessoas que realizaram grandes descobertas sobre origens. São tantas as profissões: arqueólogos, biólogos, químicos, astrônomos, físicos, antropólogos, historiadores, cartógrafos, etc. Por falar em cartógrafos o projeto da UNB me fez lembrar o quanto eu sempre admirei os cartógrafos antigos. Não existiam satélites, não existiam máquinas fotográficas. Seu material era: papel, pena, algum instrumento de medição e observação. Não tinham super visão como águias, viam ao alcance máximo que nossa visão permite ou com alguma lente, mas longe de ser essas super lentes de telecóspio. E no entanto fizeram mapas tão precisos. Estudamos geografia na escola, aprendemos sobre os continentes que foram mapeados muito antes de tantos recursos tecnológicos. Uma vez vi um filme sobre a busca da nascente do Rio Nilo, quanto sofrimento para chegar até lá. Uma história de coragem e sofrimento. E por que? A busca de uma origem, a busca de um grande feito relacionado a origem, a nascente do Rio Nilo. Por que? Quem em sua adolescência não ficava perguntando. De onde viemos, para onde vamos, por que eu nasci, estamos aqui ou somos uma projeção? E os pais ficam em pânico com tais perguntas, pois além de não terem as respostas eles, talvez, ainda tenham essas perguntas ecoando dentro de si. Alguns com elas gritando, e outros talvez uma pequenas brasa. A questão relacionada a nossas origens está presente o tempo todo conosco e com nossa evolução. Essa questão nos movimenta, nos faz continuar a buscar. Por isso espero que essa resposta nunca seja totalmente respondida. Tenho a sensação de que quando isso acontecer o sentido de continuarmos buscando, simplesmente, findará. E a partir desse momento a vida vai perder sentido. Precisamos aprender a conviver com a não resposta e continuar mesmo assim nossa busca pela resposta. Nossas origens são nosso principal sentido e nos afastaramos delas é um afastamento de nosso próprio sentido.
sábado, 25 de junho de 2011
O previsível e o imprevisível
terça-feira, 21 de junho de 2011
Curtas: O amor está no ar
Minha filha Feliz (7 anos) está mais feliz ainda. Descobriu-se enamorada de um Dom Juan (também com 7 anos) que corajosamente colocou em baixo de sua carteira na escola um bilhete: "eu te amo". Além de tal declaração esse jovem rapaz não deu-se por satisfeito e pedagogicamente pediu uma confirmação da reciprocidade: "se você me ama ponha um X no quadradinho". Feliz ficou tão radiante que pegou um papel toalha no banheiro e escreveu um bilhete: "te amo". Entregou-o ao rapazinho que, ligeiramente escreveu em baixo das palavras da amada: "eu também". Isso tudo em uma única manhã. Além de tal troca afetiva dos enamorados, Feliz compartilhou com duas colegas o recebimento do carinho. Recebeu conselho de uma delas que seria uma fria e a outra tratou de espalhar para todos da sala que estava havendo um romance. E mais, espalhou-se para todos os segundos anos, inclusive sua irmã Estrela ficou sabendo. Mesmo assim, com sua intimidade espalhada, Feliz disse-me: "mãe, eu não consigo tirar esse sorrizinho da minha cara". À noite esmerou-se para escrever um bilhete para o amado: "você quer conversar comigo no pátio?" Também me fez diversas perguntas sobre como é o amor, o que é o amor, o assunto começou a ficar complexo, mas mesmo assim tão desinteressado de enfeites, eram apenas correspondências, fiquei observando. Feliz, ao me relatar tão singelos acontecimentos, não deixava de colocar que seu Dom Juan também era diferente. No passado ela teve dificuldades com o ambiente social da escola (era outra) e agora algumas delas ainda persistem. Muitas vezes ela se interessa por coisas que outras crianças não, e não gosta de fazer parte de "panelinhas". Ela é na dela, inclusive é uma menina que não liga muito para a opinião dos outros, gosta do seu jeito e quando questionada diz gostar de si mesmo. Então, Feliz, com seu jeito peculiar de ser, em nenhum momento planejou algo ou fez algo intencionalmente para conquistar seu admirador. Sem esperar, recebe uma declaração explícita: "gosto de você do jeito que você é". Ela está radiante, com muito motivo, quem não quer isso para si? A começar pela auto-estima. Nos tempos atuais, gestos naturais de aceitação de como somos estão escassos. Temos protocolos para tudo e o politicamente correto muitas vezes mascara o que é na realidade. Hoje entoamos discursos de liberdade de ser, mas . . . . .isso acontece de fato? Temos liberdade de sermos diferentes do que esperam de nós e continuarmos a contribuir em nossa coletividade? Acredito que temos vivido muito para fora e pouco para dentro. Mostramos o que temos e o que sabemos fazer, mas pouco do que pensamos ou sentimos. É muito fácil acabar caindo naquele vazio do, quando se tem muito a perder porque não se tem nada. Só que enquanto isso, vou ter que pensar, refletir como mãe, observar a evolução dos acontecimentos e ao mesmo tempo admirar tal singela manifestação de carinho. Por isso coloco para os meus leitores o link do música "Love is in the air", para aproveitarmos esse momento em que o amor está no ar.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Curtas: Tempos modernos informatizados
Hoje fui ao Poupa Tempo renovar minha habilitação. Fiz todo o processo em uma hora e saí de lá esvaziada. O Poupa Tempo se aproximou muito do filme "Tempos Modernos" do Charlie Chaplin. O personagem fica apertando os parafusos em um movimento contínuo, sem mais perceber o que estava fazendo, não parava. Essa sistemática ritmada e sequencial foi desenvolvida por teorias da administração para que a produção fosse com o menor número de movimentos e com a melhor otimização do tempo. A teoria chamava-se (não sei se é assim ainda) tempos e movimentos. Bem, o Poupa Tempo implantou algo parecido para os procedimentos dos documentos. Em cada guichê para o qual se é encaminhado o atendente tem uma única tarefa a cumprir. Primeiro a checagem da documentação, depois o guichê que emite a guia, na sequência tirar a foto e digitais, pagar no banco, pegar a senha do exame médico, fazer o exame e voltar no guichê para pegar o protocolo. Os atendentes simplesmente executam, nada além disso. O guichê no qual eu mais demorei foi o da foto e das digitais. Como foram dos 10 dedos é demorado mesmo. Tive, então, oportunidade de observar a atendente. Sua fisionomia era de tédio, ela olhava para o computador, esperando carregar a digital para falar: "agora o outro dedo" e isso se repetiu por 10 vezes. Multipliquemos isso por, sei lá, uma média de 50 pessoas por dia (acho que é muito mais) e ela fala isso 500 vezes por dia e por semana 2.500 vezes. Na semana seguinte a contagem se repete: "agora o outro dedo" ou variações do tipo "novamente". Fiquei imaginando se um filho ou o marido, a mãe ou sei lá quem pergunta como foi o dia, o que aconteceu no trabalho, o que será que ela responde? Será que ela consegue sentir algo em relação a sua rotina? Não temos mais aqueles operários como no filme, mas a era da informática e das normatizações ajudam a manter a mesma mecanização. O que mudou? Agora estamos no século XXI. Indivíduos com pouco ou nenhum espaço para criar, para ter algo de si na tarefa, execuções totalmente mecanizadas. Inclusive, esse Poupa Tempo é enorme, cheio de gente. Tive uma sensação de estar em um curral bem grande, com aparente liberdade para pastar, mas . . . cada coisa em seu lugar. Lá dentro estávamos todos mortos como indivíduos. A diferença entre mim e os atendentes é que saí de lá e fui fazer outras coisas que me trouxeram vida. . . . . eles tem que viver essa morte todos os dias. Cruel.
domingo, 19 de junho de 2011
House, um deus grego?
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Q.I. - Quoeficiente de Inteligência, uma bobagem
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