sábado, 2 de julho de 2011

Nossas origens


Hoje pela manhã li uma reportagem no caderno ciência sobre uma equipe de pesquisadores da UNB que está utilizando o Google Earth para fazer um "transporte" do hoje para nossa época Brasil Colônia. Inclusive o projeto já está disponibilizando seus primeiros mapeamentos, suas primeiras idéias. Vale a penas dar uma visitadinha - atlas.cliomatica.com. A reportagem coloca: "a idéia dos pesquisadores é sobrepor os mapas do Brasil-Colônia às imagens de satélite atuais, empregando também recursos interativos. Em vários casos vai ser possível ver como o povomaneto avançou e mapear com precisão os ciclos regionais de prosperidade (e bancarrota) durante a era colonial."  Sempre gosto muito de projetos e descobertas que estão relacionados a nossas origens, a nossa construção histórica, cultural e evolutiva. Inclusive a busca de nossas origens parece ser intrínseca ao ser humano. Há ainda muito "mistério" sobre nós. A começar sobre nossos sentimentos. Nos últimos anos intensificou-se muito a busca por respostas neuronais pela causa dos nossos sentimentos ou motivação de nossas escolhas. A neurologia e a neuropsicologia têm realizado inúmeras  pesquisas através de mapeamentos cerebrais buscando respostas para nossas atitudes. O que conseguem mostrar é qual região do cérebro fica mais ativa em determinadas situações, porém nenhuma delas é conclusiva sobre o porque, a origem. Fico imaginando a frustração desses pesquisadores, buscando respostas, só que junto a elas surgem mais perguntas. Meu marido é astrônomo, e nosso binômio parece tão bizarro, a princípio. Uma psicóloga e um astrônomo, como assim? Só que temos mais em comum do que aparentemente se pode achar. Ambos buscamos origens. Ele em sua pesquisa busca descobrir o nascimento e morte de estrelas de alta massa. Fiquei outro dia sabendo, através de um colega dele, que essas estrelas que ele busca conhecer são escondidas por nuvens de poeira, ou seja, mais difíceis de se acessar, mais "escondidas".  Eu busco junto com meus pacientes a compreensão das origens de suas dificuldades, de seus conflitos, busco a reconstrução e resignificação de sua história através das origens, do seu encoberto com as nuvens de poeira da vida dos acontecimentos e dos sentimentos. Então, eu e meu marido, muito temos em comum, somos envolvidos com as origens. Ele no plano astronômico, um macro universo, e eu no plano individual no micro universo pessoal. E essa busca não é só nossa, a história está repleta de simples pessoas que realizaram grandes descobertas sobre origens. São tantas as profissões: arqueólogos, biólogos, químicos, astrônomos, físicos, antropólogos, historiadores, cartógrafos, etc. Por falar em cartógrafos o projeto da UNB me fez lembrar o quanto eu sempre admirei os cartógrafos antigos. Não existiam satélites, não existiam máquinas fotográficas. Seu material era: papel, pena, algum instrumento de medição e observação. Não tinham super visão como águias, viam ao alcance máximo que nossa visão permite ou com alguma lente, mas longe de ser essas super lentes de telecóspio. E no entanto fizeram mapas tão precisos. Estudamos geografia na escola, aprendemos sobre os continentes que foram mapeados muito antes de tantos recursos tecnológicos. Uma vez vi um filme sobre a busca da nascente do Rio Nilo, quanto sofrimento para chegar até lá. Uma história de coragem e sofrimento. E por que? A busca de uma origem, a busca de um grande feito relacionado a origem, a nascente do Rio Nilo. Por que? Quem em sua adolescência não ficava perguntando. De onde viemos, para onde vamos, por que eu nasci, estamos aqui ou somos uma projeção? E os pais ficam em pânico com tais perguntas, pois além de não terem as respostas eles, talvez, ainda tenham essas perguntas  ecoando dentro de si. Alguns com elas gritando, e outros talvez uma pequenas brasa. A questão relacionada a nossas origens está presente o tempo todo conosco e com nossa evolução. Essa questão nos movimenta, nos faz continuar a buscar. Por isso espero que essa resposta nunca seja totalmente respondida. Tenho a sensação de que quando isso acontecer o sentido de continuarmos buscando, simplesmente, findará. E a partir desse momento a vida vai perder sentido. Precisamos aprender a conviver com a não resposta e continuar mesmo assim nossa busca pela resposta. Nossas origens são nosso principal sentido e nos afastaramos delas é um afastamento de nosso próprio sentido.    

2 comentários:

  1. O ser humano tem a necessidade de saber de onde vem, pra saber aonde vai.

    Sem dúvidas, o 'marco inicial' de cada sentimento será sempre um enorme mistério, uma busca, centenas de descobertas, nenhum ponto final e definitivo.

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  2. Olá Anônimo,

    Esse ponto final nunca definitivo é o que me movimenta. Ainda vou, em outra ocasião, e se conseguir, explorar melhor o tema. Acho-o muito instigante.

    Abraços,
    Patrícia

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