domingo, 3 de julho de 2011

Curtas: Coisas de mulher

Se você for homem, já vou advertindo, talvez o assunto não o agrade: coisas de mulher. Por vários dias vi a propaganda de uma nova marca de absorventes íntimos e fiquei interessada em experimentar. Achei que  o produto parecia bom e a propaganda mostrava uma certa sensibilidade, uma delicadeza que transmitia a impressão de preocupação com o conforto da mulher. Sempre achei que a menstruação é algo próprio da mulher e que seus significados vão muito além do incômodo mensal. Somos férteis e podemos gestar vidas, para mim é isso que significa. Sou mulher. Também sou daquelas afortunadas que não sofrem de cólicas ou que tem TPMs insuportáveis. Tudo transcorre com tranquilidade, sem muitas alterações. Sendo assim, enquanto comprava o produto uma pergunta surgiu na minha cabeça. Quem será que inventou o absorvente íntimo, o Modess - o primeiro produto dessa categoria? Concluí que só poderia ser uma mulher, porque só nós sabemos o quanto a segurança e a facilidade são importantes nesse período.  Abre parênteses: toda vez que vou fazer uma mamografia fico pensando que quem inventou aquela máquina só poderia ser um homem. Duvido que um homem inventasse uma máquina para diagnosticar câncer de próstata que ficasse puxando o escroto dele, que ficasse achatando suas bolas. Temos uma medicina um pouco sexista. Sem sombra de dúvida o exame é importante, mas muito desconfortável - fecha parênteses. Voltando ao absorvente, pesquisei na internet e não achei a autoria do absorvente íntimo, mas que foi uma indústria americana que lançou o Modess na década de 30. Fiquei muito intrigada tentando imaginar a reunião. Nessa época somente homens tinham cargos de liderança. Dá para imaginar uma reunião de produto com os homens dimensionando o absorvente, conversando sobre fluxo menstrual, sobre sua fixação na roupa da mulher? Difícil, até hoje é um assunto tabu e naquela época deveria ser mais ainda. Como será que o executivo que teve essa ideia a apresentou em uma reunião com o Presidente? Gostaria de saber como foi a abordagem, os cálculos dos lucros? Como será que montaram a linha de produção, como treinaram os operários, desenvolveram as embalagens? E as propagandas com eram? Tento imaginar a reunião, um homem levantando e dizendo: "tenho uma ideia que vai gerar muito lucro para a empresa e deixar as mulheres felizes e satisfeitas. Vamos fazer um produto para elas usarem quando estiverem menstruadas e poderem jogar fora, não vão precisar lavar nem reutilizar, será um absorvente menstrual descartável". . . . . . . . .tenho a sensação que deve ter havido um looooooooooooongo silêncio . . . . . .será?

4 comentários:

  1. Caramba! Morri de rir com este texto!!!

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  2. Eu também ri com seu texto!

    Essas reflexões são engraçadas e muito interessantes. É interessante pensar o modo como nós, mulheres, somos vistas pelo mundo vem mudando ao longo do tempo. Ainda que exista algumas dificuldades, é bacana ver o quanto a mulher conseguiu se valorizar perante a sociedade, seja através da criação de absorventes, seja pela colocação em situações e cargos de grande poder.

    Great!

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  3. Olá Lorena,

    Confesso que também ri muito enquanto imaginava um senhor nos anos 30 falando sobre menstruações e absorventes.

    Abraços,
    Patrícia

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  4. Olá Anônima, algo me diz que você é mulher......

    É bom ver como a gente, mulher, tem conquistado espaço. Também gosto muito.

    Abraços,
    Patrícia

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